Raiva


Raiva



Sabe o que eu responderia se me perguntasse se quisesse ser mais inteligente ou mais feliz? Eu responderia ser mais feliz, até por que é mais inteligente ser mais feliz, de que adiantaria ter muito conhecimento ou todo o conhecimento do mundo e não poder me relacionar com as coisas do mundo.
                A raiva, esse é um dos sentimentos que nós vivemos fugindo, assim como a raiva nós tentamos evitar a tristeza, a apatia, o ódio e vários outros sentimentos que nos causam algo que não seja prazeroso, contudo sentir esses sentimentos negativos, falo negativo pelo fato de serem sentimentos que geralmente nos afastam de alguma maneira das pessoas são normais, comuns.
                Mas esconder ou suprimir o sentimento de raiva não quer dizer que você o esteja dominando ou não o sinta, pelo contrário você está entupindo uma “artéria”.   Reconhecer esses sentimentos como raiva, fúria, tristeza, medo, alegria e euforia é o que nos diferencia dos demais animais. O que nos torna animais racionais é o fato de reconhecermos e vivenciarmos os nossos sentimentos.
                Eu gosto de olhar os meus sentimentos da seguinte forma: eu posso encarar os meus sentimentos como um  toureiro amador encarando um touro bravo e que irá sempre fugir do touro sem nunca ter a chance de domá-lo ou posso imaginar as minhas emoções da ótica de um experiente marujo, onde as emoções são as correntezas do rio que o levarão aonde ele quiser, e para se deslocar basta se entregar as correntezas e com seu timão direcionar o leme indicando o destino.
                Sei que há momentos onde somos toureiros amadores que realmente não sabemos como agir, mas nem sempre temos que agir como tal.
                Mas como ser um marujo e não ser um toureiro? A resposta é simples. Não sei.
Para cada situação há uma resposta diferente, mesmo que a situação seja a mesma ou parecida há inúmeros fatores que impossibilitam que a solução seja a mesma. O que quero dizer é que olhar para dentro de si é o início, é o primeiro passo a ser dado em busca da solução.

E aí você está achando que é só isso, não é? Bem, você está meio certo, até por que olhar para dentro de si não é algo tão fácil, vivenciar as suas emoções não é tão fácil assim.
Encontrar a resposta dessa pergunta não é algo que você vá encontrar nos livros de auto-ajuda, escutar o que você deseja ouvir não é a melhor e nem é a resposta para os seus problemas. Abraçar as suas emoções e assumi-las é uma das melhores maneiras de lidar com elas, de decidir que papel você quer assumir se quiser ser um toureiro inexperiente ou um Marinheiro Popeye.
Para exemplificar o que estou querendo sobre esses sentimentos negativos e como eles nos ajudam, lembram-se de um dos filmes da sessão da tarde onde no finalzinho o mocinho que é um fracote e que está sendo humilhado pelo valentão do filme consegue se livrar vencendo o valentão com um belo soco de direita (nome do filme é “te pego la fora”).
Uma outra imagem que me vem a cabeça é uma que aconteceu comigo quando criança, lá estava eu sentado na garagem brincando com os meus Play Mobil quando minha amada avó sai e vai a casa da vizinha, até aí tudo bem se ela tivesse trancado direito a porta do quintal.
Nesse momento eu gostaria que vocês imaginassem essa cena com a seguinte trilha sonora, a abertura de Beat it do Michael Jackson e uma fumacinha de gelo seco e um Dobermann aparecendo do nada, lentamente.
A minha avozinha era dona de um sanguinário e infanticida Dobermann, quando eu vi aquele cachorro do capeta eu me levantei calmamente até que ele saiu em disparada em minha direção, foi quando eu saí correndo, eu poderia tentar abrir e fechar o portão da garagem, mas o meu medo foi tão grande que eu não consegui pensar nisso, e o me restava como salvação era um abacateiro com galhos muito altos, não me perguntem como, só sei que eu consegui escalá-lo como um verdadeiro macaco salvando a minha pele e contando essa história para vocês.
E se ao invés de correr eu tivesse ficado parado? Será que aquele filhote de Cérbero teria me devorado? Não sei, só sei que correr foi a melhor resposta que eu pude ter encontrado naquela ocasião, ser paciente consigo mesmo é outra forma de compreender e aceitar suas emoções, é uma forma de mergulhar nelas.
O que estou querendo dizer é que você pode entender as suas emoções, mas vivenciá-las e senti-las é a melhor maneira de compreendê-las.

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