Ócios do ofício


Ora bolas, não me amole
Com esse papo, de emprego

Não está vendo, não estou nessa
O que eu quero?
Sossego, eu quero sossego

Boa parte da minha inspiração é produto do ócio, bem são ócios do ofício, é até engraçado para mim por que eu sei que muita gente acha que esse tipo de reflexão é de quem não tem o que fazer, pois requer que pare de fazer algo “produtivo”. Segundo a ótica de nossa sociedade capitalista e neoliberal algo produtivo é algo que contribua com a sociedade e por enquanto os meus textos e blogs não estão gerando dinheiro para a economia brasileira, queria por a imagem da minha cara de preocupado.

Mas enfim, não fazer algo produtivo significa frear, diminuir o ritmo e parar, parar para ter um tempo dedicado a mim mesmo, a minha filha e esposa, conversar, fazer massagem, relaxar.

No inicio deste texto falei uma palavra que eu não gosto essa palavra é capitalista, não gosto dela por dois motivos o primeiro são as aulas chatas de geografia, nada contra a disciplina e os meus amigos Carlinhos e Ana Luísa, mas que eu não consigo gostar das aulas de geografia e sei que deveria ter prestado mais atenção, nunca se sabe quando o meu avião cairá em alto mar e eu sobreviver em um bote salva vidas e eu não souber onde é o norte ou o oeste; a outra situação é quando vejo os playboyzinhos vestindo a camisa do Che Guevara ou barbudos criticando o regime capitalista dizendo que “esse sistema é um vampiro” (GOMES, Edson), mas que na verdade eles nunca passaram fome, sempre tiveram de tudo, nunca compartilharam coisa alguma e vem de uma família capitalista e consumista, pra mim são pessoas vazias - se você se chateou com o meu comentário, eu só lamento por você- mas o que eu quero falar não é disso, o meu objetivo é falar de não fazer nada, e torná-lo algo produtivo, produtivo pra quem?

O que vem a ser não fazer nada? Será que o meu objetivo é sempre produzir algo que possa contribuir para a nossa sociedade? Uma vez eu li um livro chamado favela higtech que por sinal está emprestado e até hoje não me devolveram, onde os japoneses quando saem cedo do trabalho vão direto para o boteco tomar um drink e fazer hora, pois pega mal para a sociedade deles chegar cedo do trabalho em casa. Pra eles parecem funcionar, afinal eles são um povo de primeiro mundo, não é? Errado, isso só contribui para o aumento do alcoolismo naquele país.

E esse sistema em que vivemos e somos “obrigados” a seguir, também dita a velocidade como devemos seguir a nossa vida, dessa vez eu me incluo, pois se eu disser que nunca fiquei no piloto automático estou mentindo. Toda vez que penso nesse estilo de vida que temos e olho para o meu lado, quero dizer olhava, e vejo o meu aparelho celular, que atualmente é um objeto de consumo mais alienante que temos contato, para mim o aparelho celular não é nada mais do que levar trabalho para casa e levar esse trabalho para casa nos rende dinheiro para que possamos comprar um celular que tenha mais recursos que o outro para continuarmos conectados com o trabalho e nos exibirmos para as demais pessoas, “Ó meu celular novo, é menor que o seu ele até cozinha!

Não há mais limites entre o trabalho e a nossa casa, entre assuntos pessoais e assuntos de negócios. Tudo virou uma grande bagunça organizada nunca vi tanta criança e adolescente que tem como substituto do pai e da mãe a televisão, a internet e os pedófilos ops amigos virtuais, quando eu era criança o substituto dos meus pais eram os meus professores, menos os de geografia! Brincadeira.

Mas e hoje, as crianças e adolescentes são órfãos de pais vivos, sempre muito ocupados com seus trabalhos intermináveis e extremamente importantes. Tão importantes que no final das contas são responsáveis por enfartos, aneurismas, gastrites, cânceres e também alcoolismo. Ah também quero falar que quem trabalha demais acaba desenvolvendo uma adicção ao trabalho, ah e não é conversa de preguiçoso, o termo certo é Workaholic.

Neste momento em que você está lendo os meus textos, você está parando com o seu ritmo desenfreado, mas não faça somente ler os meus textos, converse com as pessoas que estão ao seu lado, conte piadas, escrever, cozinhar ou fazer algo que para o resto do mundo talvez seja de pouca importância, mas que para você e as pessoas que estão ao seu lado é de valor inestimável, resgatar a essência humana é essa a tendência do homem moderno.

Valorizar esses momentos de ócio pode aumentar a sua estimativa de vida, diminuir o ritmo que você leva a sua vida vai deixá-la mais prazerosa, irá relaxar, torná-lo mais criativo, aumentará a sua capacidade de percepção das coisas ao seu redor, enfim, pessoas que se dão o prazer de não fazer nada por algum período do dia tornam mais interessantes. Digo isso por experiência própria.

Então, saber separar é o segredo de ter uma vida gostosa, disciplinar o nosso dia, a nossa hora, disciplinar quer dizer ser chato e rígido está relacionado a dar limites. Aproveite a vida e seus prazeres, se você gosta de trabalhar duro, trabalhe duro, mas saiba que há momentos para descansar e curtir você e as pessoas a sua volta, se você gosta de dormir durma, mas não durma o dia todo, pois lá fora está um sol maravilhoso ou uma chuva forte e alguém querendo ser aquecido com sua presença, cultive os bons hábitos, seja produtivo a seu modo e não na maneira de nossa sociedade cruel e desumana.

O que eu quero?
Sossego, eu quero sossego

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