A olhos fechados


Dunga

A notícia do momento, a bola da vez é a classificação da seleção brasileira para a copa do mundo que será realizada na África do Sul, e com uma vitória em cima da Argentina, chega até ofuscar a comemoração da independência do Brasil. Como não sou fã de futebol não assisti ao jogo e estou me lixando se o Brasil irá ganhar ou não a copa do mundo.

Falando em copa do mundo eu me lembro da copa em que o Brasil foi tetracampeão, eu fazia cursinho pré-vestibular e aí houve um bolão na sala pra adivinhar o placar e os jogadores, eles me ofereceram e conseguiram me convencer eu nem queria jogar, afinal eu nem sabia o nome dos jogadores, só lembro que chutei um placar a aleatório e alguns nomes de jogadores que eu nem sabia se estavam ou não na seleção, e não é que ganhei sozinho? Hahaha.

Na mesma copa, durante a final, quando o Brasil ganhou, todos na minha casa foram ao delírio, como sempre eu não, mas fiquei no meu cantinho quietinho sem querer atrapalhar a comemoração de ninguém, quando do nada um dos meus vizinhos um senhor distinto entrou, quero dizer invadiu a minha casa, e o cara estava muito louco, entrou gritando “Tobias, Tobias nós somos Tetra, porra!” hahahaha muito insano, ele veio me abraçar com um cheiro de cerveja, suado, hoje eu choro de rir quando me lembro de todos de minha casa loucos de alegria.

Mas uma coisa que me faz refletir sobre o futebol é que eu não acho a mínima graça e a cada dia que se passa eu tenho mais repulsa por jogos de futebol, tem torcida organizada, maloqueiro, hooligans, confusão, morte, suor. Jogo de futebol e estádio de futebol são a visão do inferno para mim, fora isso eu fico olhando o Dunga, o nosso herói nacional o cara responsável pela classificação do Brasil na copa do mundo, porém há algum tempo atrás ninguém dava um real ao moço e hoje tem neguinho oferecendo a esposa para deitar com ele, não duvido nada.

Quando ele assumiu como técnico da seleção as pessoas alugavam o meu ouvindo dizendo, o Dunga é isso, o Dunga é aquilo, que ele não serve para ser técnico da seleção, que ele é bom jogador, mas não tem experiência alguma como técnico e por aí vai, mas vendo o jornal nacional os mesmos brasileiros falando o quanto ele é bom e que ele é o messias do futebol brasileiro.

Sabe o que eu acho disso? A princípio dá vontade de chamar de hipocrisia que em um momento todo o Brasil está fazendo de Judas o pobre (pobre sou eu, ele ta é podre de rico) do Dunga e agora ele é a esperança das nossas alegrias do sucesso da nossa seleção, mas não quero falar do quanto somos hipócritas, e sim da confiança que o Dunga conquistou com o passar do tempo.

Confiança como acabei de falar é algo que está diretamente ligado ao tempo e a quantidade de experiências não frustradas com a outra pessoa .

Um dos alicerces de nossas relações é a confiança, mas nem sempre sabemos como lidar com ela.

Analise comigo o que vem a ser confiança, se quebrarmos a palavra CON-FIANÇA, e fiança está relacionado à fé, ou seja, confiança é ter fé em algo ou em alguma coisa, confiança a meu ver deveria ser algo bom, mas vejo que não é algo bom, confiança é um saco, é por causa dela que as nossas relações estão acabando.

Então você deve achar que a culpa é da confiança? Você não está entendendo aonde quero chegar né? Mas entenderá.

O problema reside no fato de depositarmos muitas esperanças nos outros, acreditamos ou queremos acreditar que aquela pessoa que escolhemos será perfeita, poderá lidar direitinho com nossas esperanças, com nossas angústias o que é muito complicado, nós simplesmente depositamos no outro e nem percebemos se ele tem estrutura para lidar com esses conteúdos.

E o que agrava essa situação é o fato de que insensivelmente achamos que o outro já nasce pronto para lidar com nossas neuroses, afinal as neuroses são nossas e passamos a vida toda e não aprendemos a lidar com todas. Precisamos ter paciência com as outras pessoas, principalmente com quem gostamos, paciência para aprender a lidar com as falhas do outro, com os fracassos do outro (entenda fracasso como uma tentativa mal sucedida de sucesso), com as neuroses do outro.

O incrível é que o erro está sempre no outro e nunca em nós, que confiança é como um cristal quando quebrada nunca será o mesmo. Besteira, baboseira de quem é fraco, quando um vaso de cristal quebra, eu pego e jogo no lixo e no lugar dele coloco um melhor, mais resistente, assim é com a nossa confiança quando acaba ou quando quebrada temos que construir outra, pegar a anterior e jogar fora, reconstruir o relacionamento.

Eu sei que não é fácil, mas é simples, basta as pessoas envolvidas terem calma e paciência.

Veja o Dunga, agüentou firme e forte as duras críticas da maioria dos brasileiros que acham que entendem de futebol, do Galvão Bueno, que na minha opinião, é o maior babaca da tevê esportiva, odeio o Galvão, mas tudo bem, o povo gosta dele, fazer o quê e continuou o seu trabalho até chegar sábado, onde ele conseguiu não a sua ida a África do Sul, mas o respeito e a confiança do povo brasileiro.

Sabe por que eu acho a confiança um saco? Porque as pessoas não a veem como conseqüência e sim como um fim, como o objetivo. Na minha prática clínica as pessoas apenas confiam em mim, e se abrem e contam muitos segredos que ninguém saberia, uma das coisas que me ajuda é o fato de eu ser um profissional e já é de nosso consciente que ali há a possibilidade de ninguém saber de algo que seja comentado, mas mesmo assim com o passar do tempo elas vão ficando mais a vontade comigo e conversando mais coisas.

Confiança tem haver com relaxamento, quando você não está preocupado para conseguir ter ou surgir à confiança no outro ou em si, ela é construída. Paciência e coragem para esperar como será o desfecho.

Como eu costumo dizer... Fecha os olhos e entrega a Jesus!

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1 comentários:

Alex disse...

Concordo contigo e acho que boa coisa se resume na experiência "quase-traumatizante" dovizinho distinto, louco, suadão e cheio de "mé" invadindo ^sua residência!!!! Que isso!?!?!?!?!?
Heheheheheh1!!!
Mas, brincadeiras à parte, a cultura do nosso povo, resumida a pequenas alegrias como essa, realmente fazem cada um se sentir O TÉCNICO... palpiteiro e treinador da seleção brasileira. É, muitos anos de história!
Abração!